Pausa café: uma xícara de gentileza, por favor!

“Quando alguém está feliz em Nápoles, paga dois cafés:
um para si mesmo, e um para outra pessoa.
É como oferecer um café ao resto do mundo.”
Luciano De Crescenzo, em seu livro intitulado,“Il caffè sospeso”.

A pausa para o café sempre foi um momento de descontração e agora vou fazê-los saborear a bebida que se vangloria por ter tantos apaixonados na Itália. Eu a ofereço com uma curiosidade: o caffè sospeso (café solidário no Brasil). Essa xícara de gentileza é uma antiga tradição napolitana de solidariedade, que já inspirou, documentários, livros e concursos literários. Tem quem diz: ‘somente depois do café eu me… expresso’. A verdade é que café e bom humor fazem parte da vida dos italianos. Não existe dia sem um café… e nem sem uma boa risada.

Eu disse um café? Mas 80 mil xícaras são servidas todos os dias na Itália e frequentemente são acompanhadas daquelas ‘tiradas’, algumas inteligentes e outras nem tanto, que se originam nos bares e têm o poder de desenhar um sorriso em nosso rosto. Não importa quanto cinzento seja o dia, basta uma pausa para o café para provocar um desses bons momentos. Algumas xícaras trazem gravada a frase caffè al volo que seria tomar café ‘voando’, e alguns bares propõem desafios al volo, como escrever um pequeno conto no tempo de um café, quase sempre muito rápido aqui na Itália. Em outros, é possível pegar ou trocar livros e até topar com um DJ que convida os clientes a abandonar a timidez e cantar uma canção em transmissão direta para a rádio. No programa matutino da Rádio Padova escutei grandes talentos. Se o ‘pingado’ é adoçado com amor tudo se torna possível.

Café ‘sospeso’

Café e criatividade nunca faltam e são preparados para satisfazer todos os gostos. Espresso (expresso), americano, cappuccino, macchiato caldo (pingado quente), macchiato freddo (pingado frio), com leite à parte, em xícara grande, correto (corrigido com licor)… a lista é longa. Mas, como era mesmo aquela história sobre o caffè sospeso que acabou virando documentário?  Bem, o cliente pede um café e paga dois deixando o segundo para ser oferecido a quem, talvez naquele dia, não disponha de nem sequer uma moeda para conceder a si mesmo o mimo de um cafezinho. Sendo assim, quando a vontade aperta ou o frio congela os ossos resta refugiar-se em um bar e perguntar se tem um ‘sospeso ou solidário. Se tiver, uma xícara de café será servida imediatamente.

Embora hoje não seja mais um ato costumeiro, muitas ações permitem manter viva a tradição do café sospeso. Alguns reservam um dia especial para lembrá-lo e, felizmente, muitos tomam a iniciativa e levam adiante a proposta, como aconteceu recentemente na Feira de Milão, que serviu 7.000 caffè sospesi.

cartaz com preços do caféA prática do café sospeso representa uma forma de gentileza ou caridade ao próximo. Um gesto tão natural e simpático que atravessou os limites de Nápoles, conquistou outras cidades italianas, como Roma e Milão, e chegou ao exterior: Reino Unido, França, Estados Unidos e até o Brasil já aderiram. Assim, sem muito estardalhaço, o cafezinho pré-pago vai por aí ajudando a esquentar o corpo e o coração de muita gente, principalmente nos dias mais frios de inverno.

Café com belas maneiras

Não é só gentileza que conta na hora do cafezinho. Se você não economizar na educação provavelmente irá economizar no bolso. Não é raro encontrar sobre o balcão, em tom de brincadeira, um aviso informando que o preço do café varia de acordo com a maneira como o pedido é feito: ‘um café’ = € 3,00; ‘um café por favor’ = € 2,00 e ‘bom dia, me faça um café por favor? = €1,00. “Gentileza gera gentileza“, já dizia José Datrino, personalidade urbana brasileira, conhecido no Rio de Janeiro como o ‘profeta Gentileza’. Para quem quiser descobrir mais sobre esse personagem muito amado pelos cariocas ficam os links aqui e aqui

 

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